A história de julie
48Julie estremeceu.
- Não, por favor. No pelourinho não.
Seu Mestre riu, divertindo-se.
- É a opinião do Sargento. E ele dificilmente muda de opinião. Mas você pode suplicar por perdão. Creio que está na hora de lhe ensinar a posição de súplica. Deite-se com a barriga para baixo. Abras as pernas o máximo que puder. A cabeça deve se virar para o lado. Os braços ficam ao longo do corpo, com as palmas das mãos viradas para cima.
Obediente, Julie fazia tudo que lhe era ordenado e ficou finalmente na posição indicada.
- Agora arraste-se até a pessoa para a qual pretende suplicar.
Arrastar-se? Na posição em que estava era quase impossível mexer-se e o Sargento estava longe, mas Julie sabia o que representava o pelourinho. Não era só a posição terrível, mas a certeza de que estaria totalmente disponível para o tempo em que quisessem abusar dela. (muito tempo, certamente, muito tempo)
Assim, ela foi inclinando os ombros, deslocando-se com a ajuda deles e das ancas, que esfregavam-se contra o chão de mármore. Parecia uma cobra desajeitada e teria sido muito mais fácil se as pernas estivessem fechadas, mas ela fora terminantemente proibida de fazer isso. O mármore frio machucava sua pele e a distância parecia enorme, colossal, impossível de ser alcançada. Cada centímetro era uma vitória sofrida.
Com grande esforço, ela se aproximou do Sargento e, deduzindo o que se esperava dela, Julie começou a lamber seu coturno.
O Sargento pareceu gostar disso. Seu olhar era guloso e Julie teve a impressão de que ele a possuiria ali mesmo, sobre o chão frio de mármore, mas não foi isso que ele fez.
- Amanhã isso talvez funcione. Hoje você vai para o pelourinho.